O QUE O BANCO NEON ENSINA PARA O ECOSSISTEMA DE STARTUPS?

*Por Bruno Pinheiro 

Semana passada o ecossistema acompanhou, apreensivo, o desenrolar da crise em uma das startups mais promissoras do Brasil, o Banco Neon. O resumo do acontecimento é simples: o Banco Central liquidou o parceiro da fintech, o que inviabilizou algumas transações bancárias. A comunidade empreendedora do Brasil ficou em suspense durante todo o dia 4 de maio e pessoas saíram a sacar o dinheiro que havia no Neon com medo do que estaria por vir.

O alvo da análise desse texto é mostrar como a transparência do Neon foi fundamental para não abalar sua credibilidade. Em momento algum a empresa negou o problema. De forma nenhuma foram negligenciadas informações a clientes, parceiros e mídia. Prontamente, o Banco Neon fez seu porta-voz dar entrevista a veículos com capacidade de disseminação rápida da mesma mensagem: havia um problema e seria corrigido o quanto antes.

Obviamente, todo o acontecido era um jogo de xadrez: um dia antes do anúncio do Banco Central, o Neon comunicava que recebera um aporte de R$ 72 milhões, o que levantava como dúvida o porquê da fintech estar capitalizada e, ao mesmo tempo, liquidada pelo BC. A comunicação foi assertiva e transparente: a medida do Banco Central era no parceiro, e não na fintech em si, o que já colocava todo o problema como algo solúvel em curto prazo.

Pronto, a tranquilidade já começava a ser sentida, mas havia ainda um elemento complicador: tudo isso aconteceu em uma sexta-feira, quarto dia útil do mês, com um final de semana a frente. Como o Neon agiu? Na segunda-feira pela manhã (7), distribuiu um comunicado de imprensa anunciando seu novo parceiro e colocando o CEO em suas redes sociais, em um vídeo, detalhando o que foi feito desde o comunicado do BC e elogiando o Banco Votorantim, empresa que topou ser o operador do Neon.

Todo o desenrolar do caso mostra um acerto monumental da equipe de comunicação do Neon. Em qualquer momento, seja de crise ou não, a linha mestra da assessoria de imprensa e da comunicação como um todo deve ser a transparência. É preciso aproveitar as oportunidades certeiras de se posicionar, assumir as falhas no processo, dividir as preocupações e  “dar as caras”. Conheço o Pedro Conrade, CEO e founder do Neon, desde 2013 quando ele ainda dava seus primeiros passos no ecossistema. Toda sua condução no caso mostra que ele continua igual: competente, arrojado e resiliente.

Muitas startups contratam assessorias de imprensa sem ter a transparência como parâmetro. Querem divulgar à imprensa apenas aquilo que interessa, não pretendem participar de pautas polêmicas e fogem de qualquer crise. Pois bem, o caso do Neon virou um marco para as startups: quer ter a mesma credibilidade que eles? Passe a encarar comunicação como um asset da sua marca, e não como algo pontual.

Credibilidade se constrói desde o momento zero de uma startup, confiança se conquista com tempo. A mídia vai expor aquilo que é a notícia, seja ela positiva ou negativa. Olhe para o case do Banco Neon como uma regra: dá para fazer branding até em momentos de crise.

*Com 13 anos de experiência em assessoria de imprensa, Bruno já trabalhou no atendimento de contas como BuscaPé, Fox, VivaReal, Qranio, EasyTaxi, boo-box, Samba Tech e Evernote. Já participou de grandes anúncios no mercado brasileiro e conduziu o lançamento de mais de 130 startups nos últimos 8 anos. Bruno Pinheiro é fundador da PiaR Comunicação, assessoria de imprensa de 40 startups no Brasil.

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