Eventos proprietários: o que esperar em termos de mídia?

*Por Bruno Pinheiro 

O Brasil possui um sem número de eventos todos os anos. Mas, levando para o mundo das startups, podemos observar que há um movimento de “cardume”, ou seja: uma empresa inicia um projeto ou modelo de atuação no mercado e, em pouco tempo, muitas outras seguem o mesmo caminho (não que isso seja, de fato, algo negativo).

Segundo a ABStartups, atualmente são aproximadamente 4,2 mil startups em todo o país. Somente em São Paulo são 1.324, seguida por Minas Gerais (591) e Rio de Janeiro (343). Essas regiões concentram os principais eventos do ecossistema. São feiras, workshops e convenções que reúnem empreendedores para discutir o futuro do segmento, tendências internacionais que podem ser aplicadas aqui, projetos governamentais, entre tantas outras questões.

Após o fluxo de lançamento de livros e palestras in company, a nova onda foi (e ainda é, desde o meio de 2017) a criação de eventos proprietários. É claro que uma startup resolver criar seu hub para discussão sobre seu setor é ótimo e pode ajudar (e muito) a alavancar todos os players envolvidos, afinal são os principais profissionais e especialistas provocando discussões relevantes sobre um nicho específico. Mas o que podemos esperar de ações desse gênero em termos de mídia?

Para responder, quero propor um exercício. Como disse acima, temos 4,2 mil startups no Brasil, sendo 1.324 em São Paulo. Imaginemos que 10% dessas empresas resolvam lançar seus eventos proprietários. São 132,4 empresas, por mês, querendo divulgar eventos sobre assuntos específicos. Se você fosse jornalista, como agiria?

Outro ponto relevante: o evento é aberto ao público em geral ou apenas para profissionais da área e convidados? Porque se for fechado, melhor nem acionar sua equipe de Assessoria de Imprensa, afinal, vale a máxima de que os jornalistas priorizam aquilo que é de interesse público, e não ações privadas.

Destinar um número específico de cadeiras para jornalistas irem ao evento também pode ser um tiro no pé. Listo alguns motivos para isso: raramente eles saem da redação para cobrir eventos fechados; redações enxutas significam menos jornalistas nas ruas; o factual sempre ganhará de eventos e pautas frias; e, claro, mesmo que algum jornalista confirme presença, sempre há a chance dele não comparecer (infelizmente).

Por fim, não quero desanimar ninguém a fazer eventos proprietários. Na verdade acredito que essa é uma daquelas ondas que veio para ficar e proporcionar troca de know how e experiências que são únicas para todo o ecossistema. Mas, meu papel enquanto especialista em comunicação, é alertar, orientar e deixar claro que não serão todas as oportunidades que serão aproveitadas pela mídia.

Pense nisso antes de acionar sua equipe de PR para divulgações muito específicas. Ou traga aquele nome de impacto na sociedade para palestrar, que automaticamente as suas chances de convencer um jornalista aumentam exponencialmente.

 

*Com 13 anos de experiência em assessoria de imprensa, Bruno já trabalhou no atendimento de contas como BuscaPé, Fox, VivaReal, Qranio, EasyTaxi, boo-box, Samba Tech e Evernote. Já participou de grandes anúncios no mercado brasileiro e conduziu o lançamento de mais de 130 startups nos últimos 8 anos. Bruno Pinheiro é fundador da PiaR Comunicação, assessoria de imprensa de 40 startups no Brasil.

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